Eu trabalho com moradores de rua (ou melhor, de calçada, pois na rua o carro pega), em uma ong. Meu trabalho é na rua. Tanto no sol, quanto na chuva. Sem adicional de insalubridade. A parceria é com a Prefeitura. Não dispomos de estrutura eficiente, porém dispomos de força de vontade, amor pelo trabalho e pelas pessoas.
Contarei aqui o meu dia a dia do trabalho, as frustrações, os sucessos, os vínculos, as emoções e a rotina entre meus colegas também.
Os orientadores sócio-educativos possuem o ensino superior completo, assim como os técnicos e a gerência. Os demais cargos não exigem formação em ensino superior, porém não sei qual as exigências para trabalhar nas outras funções.
Eu tenho medo de contrair alguma doença de nossos assistidos. A higiene deles é precária por conta da situação em que eles se encontram. A cada dia costumo almoçar em um local diferente, é exposição de risco também, pois nunca se sabe quando uma intoxicação alimentar pode pegar você. Assim como aconteceu com um colega meu há alguns dias atrás. Uma boa opção para o almoço é o "Bom Prato", um real, conveniado com a prefeitura. Mas nem todos gostam de comer lá. Não que eu ache a comida uma delícia, mas pelo menos eu confio na procedência e na higienização dos alimentos. Geralmente as pessoas tem um pouco de nojinho. Nojo é uma palavra tabu, talvez, neste trabalho. Dificilmente escuto alguém pronunciá-la.
Há muitos detalhes, muitas histórias, muitas lágrimas, muito sangue nos olhos... Muito afeto e emoções envolvidas que nos influenciam em absolutamente tudo o que fazemos: nas relações com os colegas de trabalho, no nosso humor, na forma de trabalhar, entre outras tantas coisas.
Tenho a formação em psicologia e tento, com minha visão por causa do meu conhecimento e experiencias de vida, ter uma visão analítica para as situações. Me afino muito com a psicanálise e não sou a única Psicóloga da equipe.
Espero receber comentários e visitas. Mas se caso isso não acontecer, tudo bem. Esse espaço será um ótimo local virtual para reflexões acerca do tema. Sejam bem vindos!
A ressurreição deu sorriso nasceu com o dia
ResponderExcluirAh este inverno que abraça a primavera
Este céu que arroxa meu peito
Estas negras pedras plantadas na terra
O curso do meu errante espirito
Levou-me ao infinito e ao incomensurável
Este orvalho das pequenas coisas
Recorta meu corpo a golpe de cisel
Ocultei meus sonhos numa porta da eternidade
Porque o desespero é voo baixo e sinuoso
Vi ontem dois amantes jurarem uma partilha de vida
Vi olhos que irradiam luz em gesto assombroso
Um imenso abraço